Crónica da Primavera de Joana Vitória Martins

Já sentimos a energia da Primavera no ar. Houve mais um ciclo que se “ completou”, que se volta a transformar e traz-nos de volta outra forma de vida e de nos Primaveranutrirmos. Na energia invernal, a terra esteve a descansar, a recarregar as suas baterias, para agora brotar com a força, o vigor e a beleza que lhe são características. Nós próprios sentimos em nós essa mudança de energia, de disponibilidade. Passamos de uma energia que era mais Yin, mais densa, mais profunda, mais escura, mais fria, para uma energia mais Yang, mais expansiva, mais solta, mais quente. Existe agora outro tipo de dinâmica.  E foi justamente um pouco antes desta Primavera, no dia 1 de Março que resolvi empreender numa viagem pelo Norte de Portugal – Minho e Trás – os – Montes e onde encontrei e reencontrei-me com algumas das nossas raízes e sabedoria. Por isso, esta crónica vai ser um apanhado e uma partilha deste reencontro.

 

Em Arcos de Valdevez, principalmente na zona do Gerês entre a Serra da Peneda e Soajo, uma cooperativa de agricultores, conseguiu resgatar uma espécie de feijão ancestral que já se tinha perdido na indústria. O feijão é uma excelente leguminosa para tonificar a energia dos rins que se torna um pouco mais pesada no inverno, principalmente com a retenção de liquidos. O feijão de que falo , é o Feijão Tarrestre – tem várias cores, desde os beges aos vermelhos, por vezes preto e rachado, distingue-se dos outros pela enorme quantidade de fibra bruta e ácidos gordos insaturados, contribuindo para a redução do colesterol e triglicéridos.

 

Uns bons quilómetros mais à frente, já em terras transmontanas, na zona de Montalegre, graças ao Padre Fontes de Vilar de Perdizes, encontramos um resgate da sabedoria herbal ancestral, numa dimensão muito presente. Á medida que viajamos , saímos de uma paisagem com carvalhos robles nus, para carvalhos negrais também estes despidos que pedem uma área arbustiva diferente. Vemos muita giesta branca , que em chá também é aconselhável para a retenção de líquidos. A urze vermelha também conhecida por Torga, é muito apreciada pelas abelhas. O musgo de carvalho, é um líquen que cresce nos troncos e galhos dos carvalhos,  dos quais eu desconhecia o seu uso muito apreciado nos perfumes, e o óleo essencial tem ainda propriedades anti sépticas, calmantes, expectorante e restaurador, restaurando a saúde e o sistema imunitário. Atenção que deve ser evitado por mulheres grávidas e pessoas com histeria e epilepsia.

 

Na Primavera, os órgãos que sofrem mais são o fígado e a vesícula,uma forma de os nutrirmos é beber uma infusão de dente de leão, que por sua vez também ajudam a limpar a toxicidade de proteína animal, caso esta tenha sido consumida durante o inverno. Nesta época, deixamos de cozinhar pratos muito quentes e pesados, como assados, fritos e guisados, e passamos a saltear mais, ao vapor e a consumir mais fermentados como o chucrute ou outras couves, pois o sabor ácido nutre a energia que precisamos para esta nova fase. Aumentamos a dose de crus nas nossas refeições, pois refrescam muito o nosso corpo, quando passamos para estas temperaturas mais quentes.  Depois desta passagem brusca do Inverno para a Primavera podemos consumir verduras de crescimento ascendente para promover esta energia mais solta e sairmos da energia descendente típica do inverno. O cereal que podemos escolher é a cevada que podemos saltear com azeite e um pouco de cebolinho picado são duas combinações excelentes. O trigo é um dos cereais para esta época, mas aconselho a usarem apenas senão tiverem dificuldades digestivas com este cereal. Dentro do trigo, existem a versatilidade dos couscous, algumas massas ( prefiram as combinadas com outros cereais ou algas ) e ainda o bulgur.

 

Estas são apenas algumas dicas de como se nutrirem nesta nova época que se aproxima, de luz, de germinação e aproveitem esta energia para semearem novos projectos, novos caminhos e largar o que é velho e ficou para trás.

 

Com Gratidão,

Joana